Aparecida, 12/05/2026
Advogada procurada para garantir guarda de bebê reborn diz que foi acusada de ‘intolerância materna’ ao negar causa

Advogada procurada para garantir guarda de bebê reborn diz que foi acusada de ‘intolerância materna’ ao negar causa

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A advogada Suzana Ferreira viralizou nas redes sociais ao trazer uma situação em que foi procurada por uma “mãe” de bebê reborn para defender o direito à guarda da boneca após o fim de um relacionamento. Suzana afirmou ter recusado o caso, pois “não é possível regulamentar a guarda de uma boneca”.

“A mãe ficou bem nervosa e me acusou de ‘intolerância materna’ por eu não ter aceitado o caso em relação à guarda”, declarou. 

De acordo com a legislação brasileira, bonecos e demais objetos não são considerados sujeitos de direito, isto quer dizer que não possuem personalidade jurídica para ajuizar ações, ter direitos e deveres, ou até mesmo ser objeto de tutela judicial. 


Entretanto, a advogada afirmou que ofereceu ajuda para a cliente apenas na disputa pela mídia social da bebê que, segundo ela, é uma causa legítima. 

“A bebê reborn tem um Instagram, que a outra parte também deseja ser administradora, porque o perfil já está rendendo monetização e publicidade. E como ele está crescendo bastante, ela acredita que deveria ser das duas partes”, contou. 

De acordo com Suzana, a mulher afirmou ter constituído uma família, na qual a boneca fazia parte. Mas, como o relacionamento acabou, o ex-companheiro insistiu em ficar com a bebê pelo apego emocional.


Apego Emocional 

Em meio às questões ligadas aos bonecos ultrarrealistas, os vereadores do Rio de Janeiro aprovaram um projeto de lei que inclui o Dia da Cegonha Reborn no calendário da cidade, a ser celebrado no dia 4 de setembro. O texto ainda precisa ser sancionado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), o que não havia ocorrido até a publicação da reportagem. A intenção é homenagear “a arte das cegonhas”, nome dado às artesãs que confeccionam as bonecas Reborn.


A psicanalista Maysa Balduíno pontuou que é difícil pensar o que patrocina a condição das mães de bebês reborn. “Arrisco dizer que cada caso é um caso”. 

Maysa disse que não auxilia um paciente enlutado usando bonecas, mas reconhece que existem várias abordagens terapêuticas. Segundo ela, o medo da morte faz parte do dia a dia de quem se torna mãe e é preciso ter muita coragem e esperança para ser mãe. 

“Quando recebo notícias sobre os bebês reborn, tenho a impressão de que, para algumas pessoas, deve ser um alívio: um bebê sem vida, mas extremamente vivo para quem se sente mãe. Uma condição mais lúdica do que a de uma mãe de um bebê humano mortal”, destacou a psicanalista. 

A profissional explicou que vida e morte permeiam a maternidade. “À medida que o filho cresce e vai “vingando”, como se dizia antigamente, o medo da morte se movimenta como uma montanha-russa, com momentos mais tranquilos e outros mais aflitos”, analisou.