Aparecida, 14/05/2026

Moraes derruba sigilo da delação de Mauro Cid

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes derrubou, nesta quarta-feira (19/2), o sigilo do acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Barbosa Cid, que atuou como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. A quebra de sigilo vem um dia após o ex-presidente e outras 33 pessoas serem denunciados pela Procuradoria-Geral da República por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.


Entre as provas usadas para fundamentar a denúncia está justamente a delação premiada do tenente-coronel.


Segundo Moraes, com a denúncia da PGR, “para garantia do contraditório e da ampla defesa”, não há mais a necessidade de sigilo. Agora, todo o material colhido na fase de investigação virá à tona.


“Ocorre que, no presente momento processual, uma vez oferecida a denúncia pelo procurador-geral da República, para garantia do contraditório e da ampla defesa, não há mais necessidade da manutenção desse sigilo, devendo ser garantido aos denunciados e aos seus advogados total e amplo acesso a todos os termos da colaboração premiada”, escreveu o ministro do STF.


Ainda na mesma decisão, Moraes abriu prazo de 15 dias para que os 34 denunciados pela PGR nessa terça-feira (18/2) apresentem suas defesas por escrito. Os denunciados serão notificados com cópias da denúncia e da íntegra da delação premiada.


O ex-presidente da República e outras 33 pessoas foram denunciados também por dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

Entenda próximos passos

  • A partir da denúncia, o Supremo Tribunal Federal (STF) abrirá prazo para a defesa de Bolsonaro se manifestar.
  • Depois da manifestação, a Corte vai marcar data de julgamento para decidir se Bolsonaro vira réu ou não.
  • Caso a denúncia seja aceita, Bolsonaro e os outros denunciados passam a ser réus, e o processo é formalmente aberto.
  • Depois, passa-se à fase de ouvir a defesa e as testemunhas e colher novas provas.
  • Por fim, o Supremo vai julgar o processo, e caso considere culpados Bolsonaro e os outros 33, uma pena pode ser fixada pelos ministros.
  • No Brasil, uma prisão costuma ocorrer depois de condenação formal, quando já não há mais recursos a serem apresentados.
  • Existe também a prerrogativa de prisão preventiva, ou seja, antes do fim do julgamento. Mas ela só deve ser usada por decisão judicial e se não houver outra forma de impedir que haja prejuízo ao andamento do processo.

Fonte: Metrópoles