Diante da repercussão mundial, o Palácio do Eliseu precisou se manifestar oficialmente. A assessoria de imprensa inicialmente tentou minimizar o episódio, mas, com a ampla divulgação do vídeo, recorreu a uma explicação mais informal: segundo a agência AFP, tudo não passou de uma “chamaillerie” — termo francês que pode ser traduzido como “rusguinha” ou “briguinha” entre o casal.
Em coletiva, o próprio presidente Emmanuel Macron comentou o episódio com certo desconforto. “Eu estou brincando com minha esposa, uma rusguinha. Fui surpreendido com isso. E se torna uma espécie de catástrofe geoplanetária, com teorias”, disse, ironizando a proporção que o vídeo tomou nas redes sociais.
O casal presidencial francês já esteve no centro de outras polêmicas e teorias conspiratórias — muitas delas impulsionadas pela diferença de idade entre Brigitte (72 anos) e Emmanuel (47). A história do relacionamento também costuma alimentar os debates: eles se conheceram quando Macron tinha apenas 15 anos e era aluno de Brigitte, que na época era casada. O romance só foi oficializado anos depois, em 2007.
Uma das teorias mais absurdas — e recorrentes — afirma falsamente que Brigitte teria nascido homem, com o nome Jean-Michel Trogneux, que é, na verdade, o nome do irmão dela. Em 2023, duas youtubers foram condenadas na França por difamação ao espalharem esse boato. Ainda assim, a fake news continua circulando, especialmente em redes de extrema direita.
Não é a primeira vez que imagens de Macron geram interpretações distorcidas nas redes. Durante uma visita à Ucrânia, um lenço branco próximo aos líderes de França, Alemanha e Reino Unido deu margem a teorias absurdas. Em outro momento, na Albânia, o presidente da Turquia, Recep Erdogan, segurou o dedo de Macron de forma incomum, o que também virou meme.
Cansado das especulações, o presidente francês desabafou: “De Kiev a Tirana até Hanói, pessoas assistem a vídeos e pensam que eu compartilhei um pacote de cocaína, tive um mano a mano com o presidente da Turquia e uma cena de casal com minha esposa. Os três vídeos são verdadeiros, e no entanto nada disso é verdade. É preciso que as pessoas se acalmem.”
Ele também fez um apelo pela responsabilidade na era da desinformação digital: “Não é grave, mas o que importa é que tenhamos uma relação com a realidade junto aos nossos compatriotas. (…) É a forma como deformam um vídeo”, completou.
O episódio mais recente evidencia como pequenos gestos podem ser amplificados nas redes sociais, gerando interpretações que fogem do contexto original. O fenômeno da “viralização” nem sempre está relacionado à relevância política ou social do conteúdo, mas sim à curiosidade, especulação e rapidez com que as imagens circulam online.
Segundo especialistas em comunicação digital, o público tende a interpretar vídeos curtos com base em narrativas já formadas, alimentadas por vieses ideológicos ou teorias conspiratórias. Isso levanta debates importantes sobre alfabetização midiática, responsabilidade nas redes sociais e o papel da imprensa em contextualizar acontecimentos.