Aparecida, 08/06/2026

Nubank, BTG e XP estão envolvidos no caso Master? Entenda

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Quando a segurança prometida vira questionamento judicial

Para milhões de brasileiros, investir em CDB sempre soou como sinônimo de tranquilidade. Aplicação simples, rentabilidade previsível e uma sigla que virou quase um selo de confiança: FGC. Mas o recente Caso Master mostrou que nem sempre essa equação é tão simples assim. Agora, três dos maiores nomes do sistema financeiro digital do país passaram a ser citados em uma ação judicial que reacende uma dúvida incômoda: o Fundo Garantidor de Créditos foi usado como argumento comercial de forma abusiva?

A discussão não envolve falência dessas instituições, nem irregularidades diretas na gestão do banco liquidado. O centro do debate está na forma como o risco foi comunicado a centenas de milhares de investidores.

Para milhões de brasileiros, investir em CDB sempre soou como sinônimo de tranquilidade
Para milhões de brasileiros, investir em CDB sempre soou como sinônimo de tranquilidade


O que é o Caso Master e por que ele voltou ao noticiário?

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Com isso, o Fundo Garantidor de Créditos foi acionado para proteger investidores que haviam aplicado em CDBs da instituição.

O volume foi expressivo. Cerca de R$ 40,6 bilhões em investimentos acionaram o FGC, quase a totalidade emitida pelo banco. Esse movimento chamou a atenção de entidades de defesa do consumidor e abriu espaço para questionamentos sobre como esses produtos foram vendidos ao público.

Quando o FGC vira argumento central de venda, o risco do investimento pode ficar em segundo plano.

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central
O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central


Por que Nubank, XP e BTG entraram na ação?

Uma ação civil pública movida pela Abradecont, Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador, colocou Nubank, XP Investimentos e BTG Pactual Digital no centro do debate. O processo tramita na 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e será analisado pelo Ministério Público estadual.

A entidade questiona se houve falha na comunicação de risco e se o FGC foi utilizado de forma abusiva como principal argumento comercial na venda dos CDBs do Banco Master. Importante destacar: a ação não acusa as instituições de gestão ou participação societária no banco liquidado.

Segundo dados divulgados pelo Pipeline, a XP foi responsável por cerca de R$ 26 bilhões em vendas de CDBs do Master. O BTG aparece em seguida, com aproximadamente R$ 6,7 bilhões, e o Nubank, com R$ 2,9 bilhões, parte herdada da Easynvest. Juntas, as três concentraram R$ 35,6 bilhões do total que acionou o FGC.

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central
O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central


O que a ação judicial pede, na prática?

A Abradecont solicita a constituição de uma caução proporcional ao volume vendido por cada instituição. A proposta é dividir a responsabilidade em 65% para a XP, 25% para o BTG e 10% para o Nubank, como forma de garantir eventual ressarcimento a investidores.

Mais de 800 mil pessoas físicas foram impactadas. Ainda assim, mais de 99% estariam protegidas pelo FGC, já que investiram valores abaixo do teto de R$ 250 mil por CPF e por instituição.

O Nubank tem ligação com o Banco Master?

Não. O Nubank não participou da gestão, da administração nem da liquidação do Banco Master. A relação se limita à oferta de CDBs do banco em sua plataforma, prática comum no mercado financeiro.

O ponto central da discussão é se o destaque ao FGC pode ter levado clientes a interpretar esses investimentos como de baixo risco, quando, na realidade, se tratavam de aplicações em um banco específico, com riscos próprios.

Em nota, o Nubank afirmou que a oferta de novos CDBs do Banco Master foi encerrada ainda em 2024 e reforçou que suas operações seguem rigorosamente as normas regulatórias.

O Nubank não participou da gestão, da administração nem da liquidação do Banco Master
O Nubank não participou da gestão, da administração nem da liquidação do Banco Master


O Nubank corre risco de fechar?

Não. Não há qualquer indicação de que o Nubank esteja em risco de falência, encerramento de atividades ou saída do Brasil. Os boatos surgiram após a liquidação do Will Bank, instituição ligada ao Banco Master, mas foram classificados pelo próprio Nubank como fake news.

A fintech reiterou que não possui relação societária com o Banco Master e que atua dentro das regras estabelecidas pelo sistema financeiro nacional.

Estar citado em uma ação judicial não significa estar insolvente ou sob risco de quebra.

O que esse caso ensina sobre o FGC?

O Fundo Garantidor de Créditos continua sendo um importante mecanismo de proteção ao investidor, mas o Caso Master expõe uma nuance essencial: o FGC protege o valor investido dentro de certos limites, não elimina o risco do banco emissor.

Para o investidor, a lição é clara. Rentabilidade, instituição emissora e comunicação de risco precisam ser avaliadas em conjunto. Nenhuma sigla substitui a análise cuidadosa.

O processo ainda está em andamento, e seus desdobramentos podem redefinir como produtos financeiros são ofertados no Brasil, especialmente no ambiente digital.