Já imaginou por que a gasolina com mais etanol não ficou mais barata?
Desde agosto, os postos brasileiros começaram a vender a chamada gasolina E30, que mistura 30% de etanol anidro no combustível. O governo federal havia prometido uma redução de até 20 centavos por litro, mas, na prática, o desconto foi quase imperceptível: apenas dois centavos.
Afinal, por que a conta não fechou?
O preço do etanol subiu
Para colocar mais etanol na mistura, a demanda pelo produto aumentou. E quando a procura cresce, o preço também sobe. Foi exatamente isso que aconteceu com o etanol anidro, usado para compor a gasolina. Resultado: o custo que deveria cair acabou ficando praticamente no mesmo patamar.
Mercado livre de combustíveis
Outro ponto é que os postos de gasolina têm liberdade para definir seus preços. Isso significa que mesmo que o combustível chegue mais barato, fatores como aluguel do ponto, impostos locais e custos operacionais influenciam no valor final na bomba. É por isso que, em uma mesma cidade, você pode encontrar diferenças de até 30 centavos no litro.
Custos que vão além da gasolina
O preço que você paga por litro não é só gasolina. Ele é dividido entre impostos, margem de distribuição e revenda, custo do etanol anidro e, claro, a fatia da Petrobras. Em média nacional, segundo a Petrobras, a conta funciona assim:
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32% vai para a Petrobras
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24% para impostos estaduais
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16% para distribuição e revenda
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16% para etanol anidro
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11% para impostos federais
Ou seja, mesmo que uma dessas partes caia, outras podem subir e equilibrar a balança.
Benefícios que vão além do preço
Apesar da frustração com o bolso, a gasolina E30 tem outras vantagens:
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Menos poluição: com mais etanol, os carros emitem menos gases de efeito estufa.
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Menos dependência do petróleo importado: o Brasil é autossuficiente em cana-de-açúcar, mas precisa importar gasolina. Com o E30, a necessidade de importação cai em 760 milhões de litros por ano.
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Estímulo à produção nacional: a mudança deve gerar um aumento de 1,5 bilhão de litros na produção de etanol e movimentar cerca de R$ 9 bilhões no setor.
E o futuro?
A lei do Combustível do Futuro prevê que o percentual de etanol na gasolina pode chegar a 35% nos próximos anos, se os testes técnicos confirmarem a viabilidade. Ou seja, a gasolina que conhecemos hoje pode mudar bastante.
Quem sabe, no futuro, o impacto no preço também seja mais significativo?