Aparecida, 24/06/2026

Trump completa 1 ano de mandato com polêmicas e tensões globais

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Você já notou como uma única pessoa pode alterar o ritmo de um planeta inteiro em apenas 12 meses? Isso é o que aconteceu quando Donald Trump completou um ano do seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2026. Ao longo desses 365 dias, o governo americano executou medidas que reverberaram em todos os cantos do mundo, reformulando alianças, aquecendo antigas rivalidades e sacudindo o sistema global de segurança.

O que se viu foi uma diplomacia mais controversa e muitas vezes unilateral, com a política econômica se tornando arma geopolítica, medidas militares diretas e uma série de ameaças e ações que forçaram países a recalcularem suas estratégias externas. Aqui está o panorama desse período marcante.

Ao longo desses 365 dias, o governo americano executou medidas que reverberaram em todos os cantos do mundo
Ao longo desses 365 dias, o governo americano executou medidas que reverberaram em todos os cantos do mundo


Tarifas e guerra comercial: uma nova ordem econômica

Uma das marcas mais profundas do primeiro ano foi o uso de tarifas alfandegárias como instrumento de política externa e doméstica. Trump não apenas continuou, como escalou políticas protecionistas que já tinham causado impacto no passado, mas agora de forma mais abrangente e agressiva.

Ele elevou ou impôs tarifas em série:

  • 25% sobre importações do México e Canadá sob o pretexto de controlar imigração e drogas, provocando retaliações desses países e ativando tensões dentro da economia trilateral norte-americana.

  • Expansão de tarifas universais de 10% a praticamente todos os países, com exceções temporárias para atenuar o efeito nas cadeias produtivas.

  • Aumento de tarifas sobre aço, alumínio, carros e uma gama de produtos industriais e tecnológicos.

  • Em 2026, Trump afirmou que qualquer país que fizer negócios com o Irã pagará tarifa de 25% sobre todo o comércio com os EUA como forma de pressão anti-Irã.

Essa estratégia foi apresentada como uma forma de “equilibrar déficits” e proteger a indústria americana, mas seu efeito foi muito mais amplo: desencadeou guerra comercial com vários países, aumentou incertezas para negócios internacionais e forçou outros governos a reformularem suas cadeias de exportação e seus acordos comerciais.

Uma das marcas mais profundas do primeiro ano foi o uso de tarifas alfandegárias como instrumento de política
Uma das marcas mais profundas do primeiro ano foi o uso de tarifas alfandegárias como instrumento de política


Política Doméstica e Reformas Governamentais

A agenda doméstica foi dominada por esforços para reduzir o tamanho do governo federal e implementar reformas fiscais e regulatórias.
Redução da Força de Trabalho Federal: A administração buscou uma redução drástica na força de trabalho federal, com a perda de mais de 317.000 empregos federais até novembro, embora parte tenha sido compensada por recontratações após desafios judiciais . Agências consideradas desalinhadas com a missão de Trump, como o Departamento de Educação e o U.S. Agency for International Development, foram alvos de cortes ou propostas de eliminação .
Reforma Tributária e Econômica: Em 4 de julho de 2025, o Presidente Trump assinou a “One Big Beautiful Bill”, que tornou permanentes os cortes de impostos de 2017 para famílias e introduziu medidas populares como a isenção de impostos sobre gorjetas (“No Tax on Tips”) e a criação das “Trump Accounts”, depósitos de US$ 1.000 para recém-nascidos .
Ações Executivas: O ano foi notável pelo volume de ações executivas, com 225 ordens executivas assinadas, indicando uma preferência por governar via decreto em vez de legislação
A política anti-imigração tornou-se um pilar central do mandato. O governo reforçou barreiras na fronteira sul, restringiu pedidos de asilo e acelerou deportações em massa, cumprindo a retórica de Trump de ser “implacável” na aplicação das leis migratórias. Em estados do interior, ações agressivas do ICE (polícia migratória) geraram confrontos – em Minnesota, agentes se envolveram em um incidente letal que ganhou destaque nacional. Organizações de direitos humanos e lideranças estrangeiras denunciaram o impacto humanitário dessas medidas, enquanto Trump justificou as ações em nome da segurança nacional. No final de 2025, a administração enfrentou obstáculos nos tribunais (vários decretos foram contestados e alguns barrados pelos juízes federais e até pela Suprema Corte).
A política anti-imigração tornou-se um pilar central do mandato
A política anti-imigração tornou-se um pilar central do mandato

América Latina, Venezuela e intervenções diretas

O cenário latino-americano foi um dos mais afetados nesse primeiro ano do mandato. A política de Trump para a região misturou pressão econômica, retórica dura e ações militares concretas.

Em um episódio que chocou o mundo, forças dos EUA realizaram uma operação na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, levando-os a Nova York para enfrentar acusações, segundo relato de fontes internacionais. Essa medida histórica levantou questões imediatas sobre soberania, direito internacional e precedentes globais, pois é raro que um presidente estrangeiro seja removido por força militar sem ampla coalizão internacional.

Além disso, Trump ameaçou e continuou pressionando outros governos latino-americanos para que adotem posições alinhadas com a política de Washington, especialmente em relação a drogas, fronteiras e regimes considerados adversários. Esse tipo de ação tem gerado grande preocupação em países vizinhos sobre a volatilidade das relações e a possibilidade de novas intervenções sob pretextos de segurança nacional.

forças dos EUA realizaram uma operação na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro
Forças dos EUA realizaram uma operação na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro


Oriente Médio e Irã: máxima pressão e risco de escalada

No Oriente Médio, Trump manteve e intensificou uma política de máxima pressão sobre o Irã, retomando e ampliando sanções econômicas e ameaças contra o governo de Teerã, que enfrenta uma crise interna prolongada. Essas medidas atingiram não apenas o Irã diretamente, mas também países que mantêm relações comerciais com ele, criando uma rede de retaliação econômica em escala global.

Ao mesmo tempo, os conflitos regionais continuaram voláteis. Um cessar-fogo frágil na Faixa de Gaza, mediado em parte com participação americana, mostrou-se difícil de sustentar sem um plano de paz duradouro. A ausência de uma estratégia ampla para a região fez com que a tensão entre Israel, grupos palestinos e outros atores permaneça elevada, com risco de novos episódios de violência.

No Oriente Médio, Trump manteve e intensificou uma política de máxima pressão sobre o Irã
No Oriente Médio, Trump manteve e intensificou uma política de máxima pressão sobre o Irã


Europa, Groenlândia e a crise transatlântica

Talvez nenhum tema tenha simbolizado tanto as rupturas deste primeiro ano quanto a obsessão de Trump em adquirir ou controlar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca com importância estratégica no Ártico. O presidente americano não descartou a possibilidade de uso de força ou tarifas punitivas para pressionar a transferência de controle territorial.

Além disso, em janeiro de 2026 Trump propôs tarifas de 10% a 25% contra países europeus que não apoiassem seus planos sobre a Groenlândia, gerando forte reação de líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, que criticou a medida como uma traição a acordos comerciais pré-existentes.

Esses episódios não apenas tensionaram relações com a União Europeia, mas também provocaram debates sobre a coesão da OTAN e alianças tradicionais, que dependem da confiança entre Washington e seus parceiros para garantir segurança coletiva.

O ano também foi marcado pela obsessão de Trump em adquirir ou controlar a Groenlândia
O ano também foi marcado pela obsessão de Trump em adquirir ou controlar a Groenlândia


China, Taiwan e disputa tecnológica

A relação com a China continuou marcada por um misto de competição econômica e rivalidade geopolítica. Trump ampliou tarifas sobre produtos chineses, especialmente no setor tecnológico, e reforçou restrições voltadas a exportações de tecnologia e semicondutores, parte de um esforço para reduzir a dependência americana de cadeias produtivas estrangeiras e proteger a própria indústria nacional.

O tema de Taiwan, embora não tenha se tornado um foco militar direto neste primeiro ano, permaneceu como um ponto de atenção: Pequim segue pressionando contra qualquer reconhecimento formal de independência taiwanesa, enquanto Washington continuou seu apoio implícito à segurança da ilha e suas capacidades de defesa, ampliando a tensão na Ásia-Pacífico.

O tema de Taiwan permaneceu como um ponto de atenção
O tema de Taiwan permaneceu como um ponto de atenção


Rússia, Ucrânia e um conflito que não termina

O conflito entre Rússia e Ucrânia seguiu sem resolução durante 2025. A posição de Washington oscilou entre pressões por negociações e ceticismo quanto à continuidade das hostilidades. A resistência europeia na manutenção do apoio a Kyiv, mesmo diante de divergências com a Casa Branca, mostrou que a guerra continuará sendo um dos principais focos geopolíticos em 2026, influenciando decisões sobre segurança, energia e alianças.

O conflito entre Rússia e Ucrânia seguiu sem resolução durante 2025
O conflito entre Rússia e Ucrânia seguiu sem resolução durante 2025


O que esperar em 2026

Se o primeiro ano foi intenso, o segundo promete mais ainda. Alguns pontos que podem ganhar destaque:

  • Pressão tarifária contínua, mesmo com custo político interno, já que tarifas elevadas podem pressionar preços ao consumidor americano.

  • Eleições legislativas de meio de mandato, que influenciarão prioridades e poder político interno.

  • Linha dura na imigração e pressão judicial sobre políticas domésticas.

  • Frentes geopolíticas sensíveis, incluindo relações com Europa, Ásia-Pacífico, América Latina e Oriente Médio, que podem testar a capacidade de negociação americana.