A negociação salarial entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Coletivos de Goiânia (Sindcoletivo) e o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (SET) permanece sem avanços significativos, mesmo após seis rodadas de conversas. Com a data-base da categoria em 1º de março, motoristas e cobradores agora ameaçam deflagrar greve caso as reivindicações não sejam atendidas.
Segundo o presidente do Sindcoletivo, Carlos Alberto, as empresas ainda não apresentaram uma proposta concreta de reajuste. Ele afirmou que as negociações deste ano estão mais lentas que as de 2024, quando, apesar das dificuldades, ao menos um esboço de acordo já existia nesta altura do processo.
Além das reuniões realizadas, o sindicato relata que outras cinco foram desmarcadas unilateralmente pelo SET, o que tem aumentado o clima de insatisfação entre os trabalhadores. Para a entidade, essa postura representa desrespeito e falta de compromisso com a categoria.
Reivindicações dos trabalhadores: reajuste e dignidade no trabalho
Entre os principais pedidos dos motoristas estão o reajuste salarial de 8% a 9% e melhores condições de trabalho. A categoria também solicita a redução da carga horária, intervalos menores para refeições e a reestruturação das salas de descanso nos terminais, atualmente em estado precário.
O salário base de um motorista de ônibus em Goiânia gira em torno de R$ 3 mil. Em 2024, o reajuste foi de 7,5%, homologado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com aumento também no vale-alimentação. Segundo o Sindcoletivo, a remuneração na capital goiana está entre as mais baixas do país, mesmo com uma das tarifas mais caras do Brasil.
Cenário de tensão: greve iminente e apelo por mediação
Uma nova reunião entre SET e sindicato está marcada para esta terça-feira (10), às 14h, na sede do sindicato patronal. A expectativa é que as empresas finalmente apresentem uma proposta oficial. Caso isso ocorra, o Sindcoletivo deverá convocar uma assembleia para deliberação entre os trabalhadores.
No entanto, caso não haja avanço, a entidade sindical já sinalizou que irá acionar a Superintendência Regional do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e poderá até formalizar o indicativo de greve. De acordo com Carlos Alberto, a diretoria tem recebido ligações diárias de trabalhadores exigindo a paralisação imediata. Apesar do tom ainda cauteloso, o sindicato alerta que a paciência da categoria está no limite.
Contexto: pandemia, avanços tecnológicos e cobrança por valorização
Durante a pandemia de Covid-19, os motoristas mantiveram o transporte coletivo em funcionamento, mesmo diante de riscos sanitários elevados. Esse esforço é frequentemente lembrado pela categoria como um fator que reforça a necessidade de reconhecimento e valorização profissional.
O Sindcoletivo também aponta que, com a modernização do sistema — como a introdução de ônibus elétricos e o uso crescente de cartões e pagamentos digitais —, o setor está financeiramente mais estruturado. Nesse cenário, os trabalhadores questionam por que os avanços não estão sendo refletidos em sua remuneração e nas condições de trabalho.