Aruna, uma das gêmeas siamesas separadas em um procedimento complexo realizado em 10 de maio, passou por uma nova cirurgia na manhã da última quarta-feira (28), em Goiânia. Segundo o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), a intervenção foi um desbridamento cirúrgico, que tem como objetivo remover tecidos mortos ou infectados para acelerar a cicatrização e evitar novas complicações.
Apesar da delicadeza do quadro, o hospital afirmou que o procedimento foi bem-sucedido, embora tenha durado quatro horas — o dobro do tempo inicialmente previsto. A necessidade do desbridamento surgiu após a identificação de um ferimento no abdômen, onde também foram encontrados abscessos.
Atualmente, Aruna está internada na UTI em estado grave, sob ventilação mecânica e em dieta zero. Ela apresenta diurese espontânea e está sendo monitorada por uma equipe multiprofissional especializada.
A irmã Kiraz, que também passou pela cirurgia de separação, faleceu no dia 19 de maio, nove dias após o procedimento. A notícia foi confirmada pela família por meio das redes sociais das gêmeas com a mensagem: “Descanse em paz.”
Cirurgia histórica envolveu mais de 40 profissionais
Nascidas em Igaraçu do Tietê (SP), as gêmeas Aruna e Kiraz nasceram unidas pelo tórax, abdômen e bacia. Elas compartilhavam o fígado e possuíam três pernas, o que tornou o procedimento de separação ainda mais desafiador.
A cirurgia, realizada no dia 10 de maio, durou 19 horas e mobilizou mais de 40 profissionais da área da saúde, entre cirurgiões, anestesistas, pediatras e enfermeiros. Após a operação, ambas foram entubadas e encaminhadas à UTI com sinais de febre alta e outras complicações.
Entenda o que é o desbridamento cirúrgico
O desbridamento é uma técnica comum em tratamentos intensivos para promover a recuperação de tecidos comprometidos. Ao remover o tecido necrosado ou infeccionado, o corpo tem melhores condições de regenerar as áreas afetadas. Essa é uma etapa crucial para pacientes em estados clínicos graves ou que passaram por procedimentos invasivos como o de Aruna.
Segundo o cirurgião Rogério Hamú, responsável pelo caso, o desbridamento “era necessário para evitar o avanço da infecção e dar melhores condições para a cicatrização”.
O desafio e a esperança da medicina pediátrica
Casos de gêmeos siameses como o de Aruna e Kiraz são extremamente raros. Estima-se que ocorram 1 a cada 200 mil nascimentos, e a separação cirúrgica só é possível em uma fração deles. Ainda mais incomum é quando há o envolvimento de órgãos vitais e estruturas como fígado e bacia compartilhados.
Mesmo com a perda de Kiraz, o caso de Aruna representa um marco na medicina brasileira, especialmente pela atuação conjunta e coordenada da equipe médica. A luta pela vida continua, e cada novo procedimento é um passo rumo à recuperação.
Nota do Hecad sobre cirurgia de Aruna
“O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) informa que Aruna permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave, sob acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional.
A paciente permanece em uso de ventilação mecânica, em dieta zero, com diurese espontânea. Foi submetida a cirurgia de desbridamento na manhã de hoje (28/05). O procedimento médico consiste na remoção de tecido morto, danificado ou infectado de uma ferida, com o objetivo de promover a cicatrização do tecido saudável e prevenir complicações.“