Aparecida, 16/06/2026
DANÇA NEGRA: últimas atrações do Festival de Dança Negra "Agun - Corpo Território"

Foto/Divulgação

DANÇA NEGRA: últimas atrações do Festival de Dança Negra “Agun – Corpo Território”

Evento reúne artistas de Goiás e de outros estados em uma programação gratuita com espetáculos, oficinas, exposição, cultura ballroom e debates sobre os corpos negros e seus territórios

Ludmilla Ruffo
Ludmilla Ruffo

O Orum Aiyê Quilombo Cultural recebe, nos próximos dias, a segunda etapa da programação da primeira edição do Festival Agun Corpo Território. O evento acontece na sede do Orum, no Setor Nossa Morada, entre os dias 11 e 14 de junho. Mais do que um evento de artes cênicas, o festival se apresenta como um manifesto estético e político que celebra as produções negras. A programação de quinta-feira a domingo contempla exposição de artes visuais, espetáculos de dança, oficinas, rodas de conversa, noite de ball e um baile que encerra os trabalhos. Os ingressos são gratuitos, mas devem ser retirados pela plataforma Sympla. O festival  é uma realização da PNAB com a SECULT GO, idealizado pelo Orum Aiyê Quilombo Cultural. 

Na quinta-feira (11/6), às 20h, Odu Companhia de Dança (MA) apresenta o espetáculo Abayomi.

Na sexta-feira (12/6), às 14h, Debondee (RJ) oferece a oficina “olha o bonde passando”. Às 20h, Marcos Ferreira e Ruan Wills (BA) apresentam o espetáculo “Dembwa”.

No sábado (13/6), às 14h, acontece uma roda de conversa sobre danças negras e territórios. Às 16h, Gleyde Lopes (GO) oferece uma oficina de vogue femme. Para encerrar o sábado, Agun Kiki Ball apresenta uma noite de ball. 

As atividades de domingo (14/6) começam às 10h com uma oficina de jongo, com Gil Tobias (DF). Às 17h, Debondee (RJ) apresenta o espetáculo Debandada. Essa atividade acontecerá no Parque Leolídio Ramos, no Goiânia 2. O evento será encerrado às 19h, de volta ao Orum, com baile do Orum com balaio groove, oferecido por Dj Evely Cristina (SP).

Agun significa comunidade

Agun é uma palavra que na língua Fon (Benin) significa “comunidade”. “Isso dá o tom do nosso encontro. Queremos promover uma imersão profunda em linguagens que cruzam a dança africana, afro-brasileira e urbana, transformando Goiânia em um epicentro de diálogo ancestral”, compartilha Marcelo Marques, produtor do evento. “O Festival Agun é uma celebração da nossa sobrevivência e da nossa beleza. É o momento em que artistas negros assumem o papel de agentes de sua própria história, transformando o palco em um território de confluência e poder”, afirma Raquel Rocha, que também integra a organização do evento.

A  idealização do festival é assinada pelo Orum Aiyê Quilombo Cultural, instituição que desde 2021 atua como um pilar de resistência e fomento às artes pretas em Goiás. Ao longo de sua trajetória, o Orum Aiyê tem se consolidado não apenas como um espaço de produção, mas como um centro de gestão cultural focado no protagonismo negro. “A nossa atuação é uma resposta ao apagamento histórico e a garantia que narrativas afro-diaspóricas ocupem o centro do palco com dignidade e excelência. O Festival Agun é o amadurecimento desse trabalho contínuo de quilombagem artística”, comenta Marques.

Mais sobre a programação

A curadoria do evento, realizada por Luciana Caetano e Marcelo Marques, selecionou espetáculos de alta qualidade técnica que hoje circulam nos principais circuitos nacionais e internacionais.

Nas artes visuais, o festival expande seus limites com a exposição de videodança e fotografia, com curadoria de Raquel Rocha, apresentando obras de artistas de Goiás, Minas Gerais e Bahia. A mostra investiga como o corpo negro se recria e se insurge em contextos diversos, reunindo artistas que utilizam a visualidade como ferramenta de reflexão sobre o corpo e suas territorialidades. A exposição apresenta “Sangoma” – Coletivo Heranças do Corpo (SP/PA/GO); “CANDONGA” – Maxmiler Junio (MG); “ESCUTA” – Ìwà Sùúrù (GO); Obras Fotográficas de  Ed Gonçalves (BA); “AfroX – Gangart” (GO) e Obras fotográficas de Mayara Varalho (GO). 

“A proposta central é investigar como o corpo negro se recria em contextos distintos, transformando a arte em um território de confluência entre o ser, o mover e o dançar. Através de uma linguagem insurgente, a mostra reafirma o papel do artista negro como agente histórico e criador de novas realidades”, comenta a curadora Raquel Rocha sobre a exposição.

Resistência nas Periferias e Diversidade – Ballroom e oficinas

O festival também abre alas para a Cultura Ballroom, celebrando as corpas-território da comunidade LGBTQIAPN+ com a Agun Kiki Ball, e para o Hip Hop/Breaking, abordando a dança como ferramenta de cidadania e transformação social nas periferias. Com oficinas gratuitas de ritmos como Jongo, Afrobeat e Breaking, o festival garante que a formação artística ande de mãos dadas com a fruição, fortalecendo a rede de artistas negros e democratizando o acesso à cultura de alta performance.

Serviço: Festival Agun Corpo Território de Dança Negra

Data: 11 a 14 de junho (quinta a domingo)

Programação:

11/6 – 20h – Odu Companhia de Dança (MA) – espetáculo Abayomi

12/6 – 14h – Oficina “olha o bonde passando” com Debondee (RJ)

20h – Marcos Ferreira e Ruan Wills (BA) – espetáculo “Dembwa”.

13/6 – 14h – roda de conversa danças negras e territórios

  16h – oficina de Vogue Femme com Gleyde Lopes (GO) 

  20h – Agun Kiki Ball apresenta uma noite de ball. 

14/6 – 10h – oficina de jongo, com Gil Tobias (DF)

17h – Debondee (RJ) – espetáculo Debandada (Essa atividade acontecerá no Parque Leolídio Ramos, no Goiânia 2)

 19h – baile do Orum com balaio groove, por Dj Evely Cristina (SP).

Local: Orum Aiyê Quilombo Cultural, Rua 10 QdL Lt10 Residencial – Nossa Morada, Goiânia

Entrada: GRATUITA. Ingressos devem ser retirados pela plataforma Sympla.

Mais informações: https://www.instagram.com/orumaiyecultural/