Aparecida, 10/06/2026

Você já ouviu falar em síndrome de pica? É bastante comum…

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Já imaginou sentir vontade de comer sabão, terra ou até pedaços de tijolo? Pode parecer enredo de filme ou pegadinha de internet, mas isso é mais comum do que você imagina. Estamos falando da síndrome de pica, também conhecida como alotriofagia, um transtorno alimentar real e curioso que desafia até os especialistas.

O que é a síndrome de pica?

A síndrome de pica é um distúrbio alimentar caracterizado pela ingestão repetida de substâncias não alimentares por pelo menos um mês. Entre os itens mais consumidos estão papel, giz, pano, cabelo, sabão, gelo, barro, carvão, tinta e até pedras e metal. O nome “pica” vem do pássaro Pica pica, conhecido por “bicar de tudo um pouco” – o que é uma metáfora perfeita para esse comportamento humano incomum.

Por que alguém comeria coisas assim?

A principal explicação está em deficiências nutricionais, especialmente de ferro e zinco. Esse desejo pode surgir como uma tentativa do corpo de suprir essas carências. No entanto, fatores psicológicos também têm grande peso: transtornos mentais como autismo, esquizofrenia ou situações de estresse extremo e emocionalmente desgastantes, como gravidez e depressão, estão entre os gatilhos mais comuns.

Curiosamente, a condição é mais frequente em gestantes e crianças pequenas, o que pode estar ligado ao desenvolvimento neurológico e à alta demanda nutricional dessas fases da vida.

Farinha de mandioca como vício? O relato impressionante de Manoella

A veterinária Manoella Omena, de 37 anos, viveu na pele os efeitos da síndrome de pica. Após o nascimento dos filhos gêmeos, ela desenvolveu um hábito compulsivo por farinha de mandioca, chegando a trocar todas as refeições por copos do produto seco. A ponto de esconder da família e quebrar restaurações dos dentes.

Foi só após descobrir níveis críticos de ferro no sangue e iniciar tratamento que ela conseguiu se livrar do vício. Manoella nunca teve um diagnóstico formal de alotriofagia por vergonha — o que é mais comum do que se imagina.

Quais são os riscos de comer coisas não comestíveis?

Engolir substâncias que não são alimentos pode causar uma série de problemas graves, como:

  • Obstruções intestinais

  • Perfurações no esôfago

  • Dentes quebrados

  • Intoxicações (como envenenamento por chumbo)

  • Agravamento de anemias e outras deficiências

Além disso, o consumo constante de itens como terra ou sabão pode interferir na absorção de nutrientes, criando um ciclo vicioso: quanto mais a pessoa come, menos o corpo absorve o que precisa, e maior fica o desejo.

Como saber se você tem alotriofagia?

Se você, ou alguém que você conhece, tem o hábito frequente de ingerir coisas que não são comida por pelo menos 30 dias, é importante procurar ajuda médica. O diagnóstico é clínico e feito por psiquiatras ou psicólogos. Exames de sangue ajudam a investigar deficiências nutricionais ou efeitos colaterais.

Existe tratamento para a síndrome de pica?

Sim, embora não haja um tratamento único, o ideal é uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir:

  • Suplementação de nutrientes (como ferro e zinco)

  • Terapia psicológica ou comportamental

  • Uso de medicamentos psiquiátricos em alguns casos, como antidepressivos

O acompanhamento médico é essencial para evitar complicações sérias e restaurar a qualidade de vida do paciente.

Curiosidades extras que você (provavelmente) não sabia

  • Algumas culturas ao redor do mundo normalizam o consumo de barro ou argila, o que torna o diagnóstico mais desafiador.

  • Há registros históricos de alotriofagia em tempos de guerra e fome, como uma estratégia de sobrevivência.

  • O termo bezoar designa uma bola de material não digerido que pode se formar no estômago de quem consome tecidos, cabelo e outros itens — sim, igual àquelas pedras misteriosas que os gatos vomitam.

E você, já teve algum desejo alimentar estranho?

Talvez uma vontade incontrolável de gelo, farinha ou até borracha de lápis? Esses sinais podem parecer inofensivos, mas merecem atenção. O corpo e a mente muitas vezes gritam por socorro de formas inusitadas. Ficar de olho nesses “sinais silenciosos” pode fazer toda a diferença.