A greve dos motoristas e cobradores do transporte coletivo da Grande Goiânia, prevista para iniciar nesta sexta-feira (27), foi oficialmente adiada após pedido da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho (MPT). A nova audiência de mediação está marcada para segunda-feira (30), às 14h, no Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO), localizado no Setor Bueno, em Goiânia.
Apesar do adiamento da paralisação, o estado de greve está mantido, conforme comunicado do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia e Região Metropolitana (Sindcoletivo).
O Sindcoletivo convocou todos os profissionais das empresas Rápido Araguaia, Redemob, Metrobus, HP Transportes, Soluções Transportes, Cootego e Viação Reunidas a acompanharem a audiência no prédio do TRT-GO, na Avenida T-01.
A paralisação foi deliberada no último domingo (22), durante assembleia realizada no Terminal Padre Pelágio. A proposta do Sindicato das Empresas de Transporte Público (SET), que previa um reajuste de 5,36% — sendo 4,86% de reposição inflacionária e 0,5% de ganho real — foi rejeitada pela maioria dos trabalhadores.
Para o presidente do Sindcoletivo, Carlos Alberto Luiz dos Santos, a proposta foi considerada insuficiente diante das perdas acumuladas, especialmente durante a pandemia, quando não houve reajuste em 2020.
Além do reajuste salarial, a pauta dos trabalhadores inclui:
- Retomada do transporte até as garagens, que havia sido suspenso;
- Recomposição do adicional por tempo de serviço, retirado em 2017;
- Melhorias nas condições de trabalho e na jornada diária.
Hoje, o salário médio de um motorista de transporte coletivo em Goiânia gira em torno de R$ 3 mil para uma jornada de 8 horas por dia.
Histórico e impasse nas negociações
Um dos principais fatores que impulsionaram o movimento grevista foi a ausência de representantes patronais na audiência de mediação anterior, realizada em 17 de junho no TRT.
Segundo o SET, as negociações têm ocorrido com responsabilidade e respeito. A entidade patronal argumenta que, nos últimos dois anos, os trabalhadores conquistaram 9% de ganho real acumulado, já considerando os impactos da pandemia.
Em 2024, o reajuste salarial da categoria foi de 7,5%, também homologado pela Justiça do Trabalho.
Expectativa para o desfecho
A audiência da próxima segunda-feira (30) será decisiva para o rumo da greve. Caso não haja avanço nas negociações, a paralisação pode ser retomada ainda na próxima semana, com grande impacto para os usuários do transporte público em Goiânia e região metropolitana.