O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo. Isso acontece em meio ao fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas e gerou protestos.
O Congresso do país ainda analisará se aceita ou não a renúncia em uma sessão marcada para as 17h, no horário local e de Brasília.
De toda forma, a Câmara de Deputados aprovou, cerca de uma hora após o anúncio, o impeachment do presidente por unanimidade — foram 78 votos a favor. Parlamentares da oposição defenderam esse processo para que o chefe de Estado não tenha foro privilegiado.
O Senado ainda precisa votar o processo de impeachment de Peña.
O presidente Santiago Peña informou a decisão de deixar o poder em um vídeo nas redes sociais, no qual destacou que este é um dos momentos “mais difíceis da minha vida”.
“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, afirmou.
“Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, adicionou.
Mensaje del Presidente de la República, Santiago Peña, al pueblo paraguayo. https://t.co/RBz6IfFV9L
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 5, 2026
O presidente paraguaio também pediu desculpas à população e destacou que seu “maior desejo” é que haja a devolução dos recursos aos clientes do banco e que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade.
“Hoje devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças”, comentou.
Base governista apoiou impeachment contra Peña
O partido de Santiago Peña havia anunciado nesta quinta que apoiava a remoção do presidente, justificando que a medida poderia restaurar a ordem institucional no país.
Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado, publicou uma carta nas redes sociais com a declaração, destacando que a legenda não irá tolerar “o roubo de fundos públicos, privados e de pensões”.
Câmara rejeita impeachment de vice-presidente
Também nesta quinta-feira, a Câmara de Deputados do Paraguai rejeitou o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente do país.
Foram 48 votos pela rejeição e 30 a favor. Agora, ele está posicionado para assumir o governo paraguaio.
Aos 52 anos, Alliana acumula passagens pelos poderes Executivo e Legislativo.
Foi governador entre 2008 e 2012 e atuou na Câmara dos Deputados entre 2013 e 2023.
Nesse período, assumiu a presidência da Casa em diferentes momentos, além de liderar o Partido Colorado, a principal força política do país, entre 2015 e 2023.
Na cadeira de vice, Alliana tem acumulado funções relacionadas à política externa do Paraguai.
Entenda a crise do “Banco Master paraguaio”
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
Via CNN Brasil