Aparecida, 27/10/2026
Cientistas criam pílula anticoncepcional masculina para uso antes da relação sexual

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Cientistas criam pílula anticoncepcional masculina para uso antes da relação sexual

Remédio entrará em fase de testes nos EUA, mas ainda não tem previsão de uso; estudo é feito na Universidade de Cornell, em Nova York

Ludmilla Ruffo
Ludmilla Ruffo
Atualizado 27/10/2026 às 13:00

Pesquisadores do Weill Cornell Medicine, da Universidade de Cornell em Nova York, desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina para ser usada antes das relações sexuais.

O remédio precisa ser tomado 30 minutos antes e oferece proteção entre seis e oito horas. Após esse prazo, o fármaco perde a ação e a função reprodutiva é retomada normalmente.

A pesquisa recebeu US$ 8,2 milhões para financiamento do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (NICHD). O medicamento será testado em humanos e não contém hormônios.

“Pílula das preliminares”

O remédio é diferente dos modelos femininos que impedem a fertilidade com o uso de hormônios e geram efeitos colaterais, muitas vezes severos.

O estudo usa como base os inibidores para uma enzima chamada adenilato ciclase solúvel (sAC). A substância foi utilizada em camundongos e constatou-se que os espermatozoides não conseguem nadar e ficam paralisados instantaneamente após o uso do remédio. Espera-se o mesmo resultado em gametas humanos.

Na prática, os cientistas criaram uma molécula altamente pegajosa e com capacidade de se fixar no alvo por horas, mesmo após a ejaculação no sistema reprodutor feminino. A pílula oferece uma janela de proteção contra a gravidez de seis a oito horas e, depois disso, a fertilidade retorna ao normal, disse Jochen Buck, um dos coordenadores do estudo.

O remédio entrará na fase 1 de estudos. Homens saudáveis tomarão placebo, que é uma substância inerte e sem princípio ativo, ou a substância em análise. Os resultados serão analisados e comparados e, se forem positivos, será permitido o avanço para fase 2, onde o grupo de homens pesquisados é meior.

Não há previsão do final da fase de análises, nem quando ou se o medicamento estará disponível no mercado.

Atualmente, o FDA (Food and Drug Administration), órgão equivalente à Anvisa nos EUA, não tem um anticoncepcional masculino aprovado para a venda. Outros fármacos estão em fase de pesquisa, como no formato de comprimido diário, injeções com efeito de longa duração e gel.

O estudo sobre a contracepção masculina sob demanda, feito na Universidade de Cornell, revela que cerca de 50% dos homens americanos e 75% no restante do planeta usariam um método contraceptivo masculino.

Os entrevistados também afirmaram que a opção reversível e com efeito de curto prazo torna a alternativa mais interessante, pois serve como uma ferramenta de controle de natalidade, mas não impede a reprodução de forma definitiva.

Preservativo

O Ministério da Saúde recomenda o uso de preservativo nas relações sexuais não apenas com a finalidade de evitar filhos, mas também para prevenir infecções sexualmente transmissíveis como o HIV, HPV, sífilis, hepatites e gonorreia.